Talvez os anjos também estivessem chorando diante de minha decisão, porém naquele momento , o pesar e o remorso como consequência de meu pecado não era algo que me assolava.
Como ignorar o que parece ser perfeito?
Como deixar com que algo bonito se passe por comum e desapercebido?
Chi Hoon era o exemplo perfeito ante toda criação.
Era da beleza, a mais pura , cheia de luz e graça.
Era da perdição a mais devassa , cheia de armadinhas , as quais em sua teia eu me entregava.
Ele era alguém capaz de lhe apresentar o paraíso, porém ao mesmo tempo poderia fazer-lhe sucumbir pelo inferno enquanto passeava com suas mãos macias pelos ombros desnudos.
Nem tão perto nem tão longe, o sentimento não se limita a um breve espaço de tempo , nem mesmo o amor em um beijo porém entre todos os sentimentos o adeus é o mais triste , o que me lembra também o fato de que as lágrimas não podem desfaze-lo.
Não direi mentiras.
Chi Hoon fora o meu melhor presente, sendo humano ou não. Real ou irreal, eterno ou efêmero...
Porém, diante de toda aquela tecnologia , as pessoas insistiam em questionar que o sistema ainda possuía defeitos, e entre os defeituosos estava o meu pequeno paraíso de aparência humana.
Quando o encontrei no lixo - como algo comum e inútil- perguntei aos especialistas o que deveria fazer, de forma que pudesse de qualquer jeito ficar com ele, mesmo com o seu defeito interno.
A verdade era que Chi Hoon não era apenas uma tecnologia diferente , ele possuía, atrás dos olhinhos pequenos, dos lábios rosados e das mãos delicadas com uma diversidade de utilidades, um coração!
Meu robô humano ,na verdade , possuía também sentimentos...
